domingo, 13 de julho de 2008

Fim

Minhas pernas doem, meu cabelo está sujo, minhas unhas pretas, minha roupa estragada, meu estômago com fome, minha barriga inchada, minha garganta doendo, meus pés coçam e minha cabeça só pensa em cama. Estou com cara vermelha e tenho poeira e areia até na alma. Mas acabou. Goiânia, aqui vou eu. Ufa!

sábado, 12 de julho de 2008

Água e Pedra

Andando mata adentro em Barra do Garças (MT), hoje, conheci algumas pequenas quedas d'água. Já era quase hora do pôr-do-sol e parei por um instante para descansar. Em uma das quedas, sentei-me e começei a observar a constância insistente com que a água batia na pedra. Quem conhece o ditado sabe que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Acho que fiquei uns cinco minutos absorto e obcecado por aquela imagem. Pensei o quanto, às vezes, erramos por não sermos constantes e insistentes em certas coisas. Neste mundo só vencemos quando nos esforçamos.

Pequeno adendo - Descobri que a intersecção do Araguaia com o Rio Garças, além de unir as siamesas Barra do Garças (MT) e Aragarças (GO), ainda tem uma irmã menor, Pontal do Araguaia (MT), que fica ao sul do "Y" invertido formado pelo encontro dos dois rios. São três cidades conurbadas, portanto.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

No Araguaia, lado B

Este ano fui escalado para cobrir um local novo na temporada do Araguaia. Ao invés da tradicional Aruanã, vim para Aragarças e Barra do Garças (na verdade estou hospedado nesta última). As duas cidades são muito interessantes, já que são siamesas.

Que vê as duas de cima, do alto do Cristo Redentor (sim, também há um aqui) que fica do lado da Barra, pensa que na verdade trata-se de uma só cidade cortada pelo rio. Há, porém, uma clara maior movimentação social e econômica em Barra do Garças, que fica do lado mato-grossense. Enquanto Aragarças fica no lado goiano e ainda luta para perder a pecha de cidade dormitório. Barra leva o nome do rio que se encontra com o Araguaia, bem entre a duas cidades, o Rio Garças.

Já Aragarças, descobri eu, tem o nome de uma mistura entre Araguaia e Garças. Não dá para negar que são criativos. A novidade na minha participação na cobertura deste ano foi empolgante justamente porque estou conhecendo um local sobre o qual tinha uma parca noção, formada vagamente por pílulas de informação. É isso que me atrai na profissão de jornalista.

Hoje o trabalho foi duro e estou moído. No hotel, acabei de enviar a primeira das três matérias que iria enviar ao longo deste fim-de-semana. É gratificante abrir o jornal no outro dia e ver que o trabalho ficou legal. Espero que neste ano fique bem bacana, como tem sido nos últimos anos.

No mais vou ficando por aqui porque ainda tenho que acompanhar o movimento da noite e preciso descansar um pouco. Uma dura jornada de mais dois dias de trabalho me espera. Até.

sábado, 5 de julho de 2008

O violão e os ciúmes

Olhares fortuitos ou diretos? Já suportei facilmente. Cantadinhas imbecis? Sai triunfante. Talvez porque a autoconfiança e a confiança que ela me dá sejam suficientes para surportar tudo isso. Mas não é que descobri que tenho ciúmes do violão? Quando ela está com ele fica totalmente entregue. O acaricia, canta melodias baixinhas, é melindrosa para que não fique de mal humor. É, naquele momento, exclusivamente dele. E eu, que me achava cabeça aberta, não-ciumento, percebi que um objeto a rouba de mim e que também sou ciumento.

sábado, 28 de junho de 2008

Rapidinhas - Fim de Férias

Algumas bobeiras sobre nada, dos últimos dias de férias:

- Fiquei impressionado com o número de pessoas que vieram comentar meu último post, pessoalmente ou por aqui. Teve até quem dissesse que se suicidaria se estivesse com vontade (rs).

- O diagnóstico é o seguinte: quando estou sem nada para fazer, estou longe da Erika e tenho tempo para me dedicar mais à música, cinema e literatura, fico mais deprê. É uma faceta interessante da minha personalidade múltipla.

- Perguntaram outra dia sobre minha timidez. Ela é engraçada: existe, mas não atrapalha. Volta e meio fico mais tímido, mas uma das coisas que o jornalismo proporcionou foi me ajudar a subjugá-la.

- Spada me ligou ontem para comemorar seu aniversário. Infelizmente não estava em Goiânia. Prezo-o muito e fiquei sentido de não dar um abraço pessoalmente.

- Finalmente acabou a saga Brasil-Bolívia-Peru reloaded no blog do Sartorato. Me senti como se tivesse refeito a jornada.

- Foram 10 dias na casa dos meus pais. Acho que nunca baixei tanta música da internet ultramegaveloz que meu pai instalou em casa.

- Escutando, outro dia, a Like a Virgin original da Madonna foi inevitável não lembrar da Lucimeire Santos dançado-a no meio de uma boate limenha, há exatamente um ano. Acho que estou meio anos 80, além de mais jazzístico, por esses tempos.

- Não gosto de James Blunt, mas ele tem realmente algumas composições acima da própria média, como constatávamos meu amigo Fellipe e eu em uma conversa esta semana. Descontando aquela bobeira de uh, uh, uh, uh e o fato de que a música ter se esgotado tocando toda hora naquela novela, ele escreveu um refrão lindo:

I'm not calling for a second chance,
I'm screaming at the top of my voice
Give me reason, but don't give me choice,
Cause i'll just make the same mistake again

(Não estou pedindo uma segunda chance,
Estou gritando com toda a força da minha voz
Me dê razão, mas não me dê escolha,
Porque eu cometerei o mesmo erro outra vez)

Por mais, até não sei quando.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Tudo passa

Pretendia mostrar tudo que quero, mas a timidez não permite. Gostaria de ficar mais à vontade; a decência, no entanto, embarreira. Desejo escutar todas as músicas, mas não é possível. Tenho vontade de declarar vontades, de todos os tipos, e que só foram sussurradas.

Outras vidas, contudo, seriam afetadas. Para o mal. Resigno-me em minha condição. Felicidade é atingível? Acredito que sim. Dura? Quem sabe. Deprime porque pode ser para você, não para o outro. No minuto em que entra debaixo de sua pele, pode doer a ele.

Sou uma poeira no cosmo e, mesmo assim, me sinto universal. Compartilhei coisas boas, também boas para outros. Mas péssimas a terceiros. A experiência ensinou: fui, de qualquer modo, egoísta. Dá para ser feliz sem deixar marcas? Dói quando vejo que sou universal, de igual condição, e singular, de tão diferente.

Conforta, porém, o fato de tudo ser passageiro. Um viva, portanto, à efemeridade, que leva embora a felicidade e a vida, mas também as coisas ruins.