quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ao telefone

Há um certo tipo de gente que dá preguiça só de escutar a voz.

- Fulana, está?
- Não. Já foi embora.
- Ah, é que me disseram para falar com ela para resolver tal coisa.
- Infelizmente, só amanhã, senhora.
- Ah! Mas já tentei falar até no celular dela.

Deu vontade de reponder: "E o que eu posso fazer, então, chata".

- Então, a senhora vai ter de ligar amanhã.
- Mas aí não vai ser tarde pra ela me ajudar. Se não ajudar, estou perdida.
- Se a senhora quiser posso passar para a chefia.
- Quem é?
- É Sicrana.
- Mas me disseram para falar com a Fulana.
- Repito, ela não está.
- Sicrana pode ajudar, porque Fulana é sua subordinada.
- Mas não é a Fulana que cuida dessa área.

Em pensamento: "Ai, energúmena, já não disse que Sicrana manda em Fulana."

- Fale com a Sicrana, ela vai te ajudar.
- Quem é a Sicrana.
- É chefe da Fulana, como disse.
- Você acha melhor que eu fale com ela?

"Santo Deus, isso é que dá ser tão educado..."

- Sim, senhora, acho.
- E ela faz o que aí?
- Recebe os recados da Fulana, quando ela não está.
- Será que ela pode ajudar.
- Claro, se manda nela...
- Tem certeza?

"Pai nosso, que estai nos céus..."

- Já não disse isso, senhora.
- Sabe o que é?
- Ahn?
- Eu não posso ficar sem essa ajuda. Dependo muito disso.

"E eu com isso?"

- Sei, já compreendi.
- Se você diz que ela pode ajudar...
- Pode sim (já impaciente).
- Então me passa.

Não esperei nem o obrigado. Transferi a ligação. O telefone, lá longe, tocou mais umas quinze vezes. Acho que Sicrana tinha escutado tudo.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Madonna faz rir

Superpop não é nem de longe a melhor música de Madonna, menos ainda, claro, de sua carreira. Aliás, é de uma pobreza de produção e uma melodia abusadamente medíocre. Mas a letra tem um quê de provocação, super auto-estima e graça que não deixa de ter seu traço charmoso. A seguir os melhores trechos da letra:

Superpop
Madonna

If I was an animal, I’d be a lion
If I was a car, I’d be an Aston Martin
If I was a genius, I’d be Isaac Newton
If I was a hero, I’d be Martin Luther

If I was an actor, I’d be Marlon Brando
If I was a painter, I’d be Frida Kahlo
If I was a drink, I’d be a Lemon Drop
If I was a song, I would be Superpop

If I was a star, I would be who I am today
If I was a fighter, I’d be Cassius Clay
If I was emotion, I would be intense
If I was a man, I would be president
I’ll be different, If I’m the president


If I was an animal, I’d be a dog
If I was a dog, I would be a man
If I was a man, I’d be the president
If I was the president, I’d be different

If you want to reach the top
If you do, you’ll never stop
You have started and never stop

(Se eu fosse um animal, seria um leão
Se eu fosse um carro, seria um Aston Martin
Se eu fosse um gênio, seria Isaac Newton
Se eu fosse um herói, seria Martin Luther

Se eu fosse um ator, seria Marlon Brando
Se eu fosse uma pintora, seria Frida Kahlo
Se eu fosse um drink, seria um Lemon Drop
Se eu fosse uma canção, seria Superpop

Se eu fosse uma estrela, seria quem sou hoje
Se eu fosse um lutador, seria Cassius Clay
Se eu fosse emoção, seria intensa
Se eu fosse um homem, seria presidente
Serei diferente, se eu for presidente

Se eu fosse um animal, seria um cachorro
Se eu fosse um cachorro, seria um homem
Se eu fosse um homem, seria o presidente
Se eu fosse o presidente, seria diferente

Se você quer chegar ao topo
Se você conseguir, você nunca vai parar
Você começaria e nunca iria parar)

domingo, 13 de julho de 2008

Fim

Minhas pernas doem, meu cabelo está sujo, minhas unhas pretas, minha roupa estragada, meu estômago com fome, minha barriga inchada, minha garganta doendo, meus pés coçam e minha cabeça só pensa em cama. Estou com cara vermelha e tenho poeira e areia até na alma. Mas acabou. Goiânia, aqui vou eu. Ufa!

sábado, 12 de julho de 2008

Água e Pedra

Andando mata adentro em Barra do Garças (MT), hoje, conheci algumas pequenas quedas d'água. Já era quase hora do pôr-do-sol e parei por um instante para descansar. Em uma das quedas, sentei-me e começei a observar a constância insistente com que a água batia na pedra. Quem conhece o ditado sabe que "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". Acho que fiquei uns cinco minutos absorto e obcecado por aquela imagem. Pensei o quanto, às vezes, erramos por não sermos constantes e insistentes em certas coisas. Neste mundo só vencemos quando nos esforçamos.

Pequeno adendo - Descobri que a intersecção do Araguaia com o Rio Garças, além de unir as siamesas Barra do Garças (MT) e Aragarças (GO), ainda tem uma irmã menor, Pontal do Araguaia (MT), que fica ao sul do "Y" invertido formado pelo encontro dos dois rios. São três cidades conurbadas, portanto.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

No Araguaia, lado B

Este ano fui escalado para cobrir um local novo na temporada do Araguaia. Ao invés da tradicional Aruanã, vim para Aragarças e Barra do Garças (na verdade estou hospedado nesta última). As duas cidades são muito interessantes, já que são siamesas.

Que vê as duas de cima, do alto do Cristo Redentor (sim, também há um aqui) que fica do lado da Barra, pensa que na verdade trata-se de uma só cidade cortada pelo rio. Há, porém, uma clara maior movimentação social e econômica em Barra do Garças, que fica do lado mato-grossense. Enquanto Aragarças fica no lado goiano e ainda luta para perder a pecha de cidade dormitório. Barra leva o nome do rio que se encontra com o Araguaia, bem entre a duas cidades, o Rio Garças.

Já Aragarças, descobri eu, tem o nome de uma mistura entre Araguaia e Garças. Não dá para negar que são criativos. A novidade na minha participação na cobertura deste ano foi empolgante justamente porque estou conhecendo um local sobre o qual tinha uma parca noção, formada vagamente por pílulas de informação. É isso que me atrai na profissão de jornalista.

Hoje o trabalho foi duro e estou moído. No hotel, acabei de enviar a primeira das três matérias que iria enviar ao longo deste fim-de-semana. É gratificante abrir o jornal no outro dia e ver que o trabalho ficou legal. Espero que neste ano fique bem bacana, como tem sido nos últimos anos.

No mais vou ficando por aqui porque ainda tenho que acompanhar o movimento da noite e preciso descansar um pouco. Uma dura jornada de mais dois dias de trabalho me espera. Até.

sábado, 5 de julho de 2008

O violão e os ciúmes

Olhares fortuitos ou diretos? Já suportei facilmente. Cantadinhas imbecis? Sai triunfante. Talvez porque a autoconfiança e a confiança que ela me dá sejam suficientes para surportar tudo isso. Mas não é que descobri que tenho ciúmes do violão? Quando ela está com ele fica totalmente entregue. O acaricia, canta melodias baixinhas, é melindrosa para que não fique de mal humor. É, naquele momento, exclusivamente dele. E eu, que me achava cabeça aberta, não-ciumento, percebi que um objeto a rouba de mim e que também sou ciumento.