domingo, 22 de junho de 2008

Está no vento

Simples e filosófico. “Quantos estradas um homem precisará percorrer, antes que possam chamá-lo de Homem?”. Já pensou o que te faz digno? Qual é o sentido de ser o que é, a escolhas que faz? “Quantos mares uma pombinha branca deverá sobrevoar, antes que possa dormir na areia?”. O que temos feito com nossas vidas?

E “quantas balas de canhão serão atiradas, até que sejam para sempre banidas?”. Fazemos guerras para que mesmo? Petróleo, território, dinheiro? E “quantos anos uma montanha existirá antes que o mar venha e a leve?” Estamos mesmo cuidado do meio-ambiente ou é só marketing pessoal?

“Quanto tempo algumas pessoas continuarão a existir, até que as deixem ser livres?”. Você pensa no ser humano que está ao seu lado em casa, no trabalho, no trânsito? “Quantas vezes um homem pode virar a cara e fingir que não vê?”

“Quantas vezes é preciso que um homem olhe para céu até que realmente o veja?”. A indifereça fere, maltrata, mutila. E “quanto ouvidos um homem deverá ter até que escute o povo chorar de verdade? Quantas mortes haverá até que ele saiba que já morreu gente demais?”.

Sabe responder? Bob Dylan dá uma pista. “A resposta, meu amigo, está soprando no vento!”

Blowing In The Wind
Bob Dylan

How many roads must a man walk down, before they call him a man

How many seas must a white dove sail, before she sleeps in the sand
How many times must the cannonballs fly, before they are forever banned
The answer, my friend, is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

How many years must a mountain exist, before it is washed to the sea

How many years can some people exist, before they're allowed to be free
How many times can a man turn his head, and pretend that he just doesn't see
The answer, my friend, is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

How many times must a man look up, before he can see the sky

How many years must one man have, before he can hear people cry
How many deaths will it take till he knows, that too many people have died
The answer, my friend, is blowing in the wind
The answer is blowing in the wind

quinta-feira, 19 de junho de 2008

O valor de uma boa limpeza

Hoje descobri conscientemente de onde vem meu prazer em morar em um lugar limpo. Aliás, mais do que o prazer de estar em um local limpo, gosto de participar do processo de limpeza. O exemplo veio de dentro de casa. Não é por menos: minha mãe adora faxina. Cheguei à casa dos meus pais para passar alguns dias das férias em pleno processo de faxina. Arrasta móveis, lava janelas, joga a tralha inútil fora.

Mais do que estar em um local limpo, como eu, minha mãe adora limpar e organizar. Dá para perceber isso porque o papo dela está concentrado no assunto durante todo o tempo em que está trabalhando. "Tinha tanta sujeira debaixo deste móvel, fazia um tempo que estava querendo limpar." Entra ano e sai ano e escuto os mesmos planos. "Vou fazer uma limpeza pesada agora para depois ficar mais fácil." Nada a deixa mais satisfeita do que terminado tudo olhar para o chão, os móveis e coisas organizadas e ver que o esforço não foi em vão. Pelo menos por um curto espaço de tempo. "Seria bom se ficasse tudo assim, não é? Pelo menos uma semana", suspira.

Mas não. Não há milagre. No outro dia está tudo sujo. Não há nada mais injusto do que a sujeira e os sujões juntos. Você limpa e organiza, mas aí vem o tempo e as pessoas para estragar tudo. Eita, trabalhinho ingrato este doméstico. Cada vez que sujar um copo ou um prato, lembre-se que dá uma trabalhão lavar, enxugar e depois guardar no lugar. Quase ninguém dá valor a este trabalho. É fácil chegar, sujar e depois largar, se não é você que vai limpar.

Recomendo a todo mundo, pelo menos uma vez na vida, a tirar um dia para limpar a casa, arrumar a cozinha, lavar o banheiro. Tenho certeza que a experiência lhe trará mais consciência sobre este trabalho. Você pensará duas vezes antes de sujar ou bagunçar desnecessariamente. Nos acostumamos a valorizar trabalhos de resultados tidos como mais nobres, como uma casa bem construída, uma causa ganha, uma matéria bem apurada e escrita. Mas imagine morar entre a poeira, o lixo, bichos de todas as espécies e nunca ter um talher limpo para comer. Valorize.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Blogar ou não, eis a questão

Apesar de ser jornalista, confesso que sempre tive preguiça de escrever. Como disse certa vez Zuenir Ventura, "não gosto de escrever, gosto de ter escrito". Muito trabalho e outros projetos me fizeram deixar o blog de molho. Estou de volta, reformulado. Este espaço já teve jornalismo, crônica, maledicências, piadas, filosofia de esquina, ingenuidades. Foram textos legais e outros péssimos. Fazendo um balanço, vejo o quanto mudei. Há coisas muito medíocres, mas elas continuarão no arquivo, para testemunharem. O melhor de se fazer um blog é ver como você é mutável. A proposta agora é não ter proposta. Quero escrever o que quiser, quando quiser, sem censura, edição ou pré-julgamento de ninguém; isso já vivo como jornalista. É clichê, mas vá lá: quero mesmo é escrever e ser feliz. Até breve.

domingo, 4 de novembro de 2007

FECHADO PARA BALANÇO

sábado, 13 de outubro de 2007

Chorei, de novo

Engraçado como nos surpreendemos com nós mesmos de tempos atrás. Há alguns dias recebi um e-mail de uma senhora sugerindo que eu publicasse um texto meu que encontrou durante uma pesquisa no Google. É um espanto, mas eu escrevi o seguinte texto, que, dois anos depois ao ser relido, me trouxe os sentimentos daquele momento. Contudo, agora, consegui enxergar a beleza das palavras que simplemente vieram. Aconselho essa experiência a quem tem blog que já tenha feito aniversário. É bem interessante. Eis a republicação do post. Você se lembra? Eu, sim. E muito bem.


Sábado, Outubro 01, 2005

Chorei

Ontem, eu chorei. Chorei pelas injustiças que cometi, pelas palavras erradas que disse e pelas certas silenciadas. Pelos momentos de dor, pela falta dos que amei, pela falta dos que amo. Chorei pela criança que me pediu dinheiro no sinal, pela senhora que dorme na rua embalada em sacos plásticos nas noites frias e pelas vidas que ficaram jogadas lá fora. Pela minha omissão, pela minha covardia e a falta de compaixão. Chorei quando lembrei dos dias de sol que não aproveitei, por todo pôr do Sol perdido e pelas noites de Lua em que eu estava nublado. Pelos momentos bonitos que deixei de viver com mais intensidade com meu pai, pelas palavras duras que já dirigi para minha mãe, pelas brigas com meus irmãos, pelas muitas ausências com meus avós, pela amizade que não pude ter com primos e a simpatia que não desenvolvi por alguns parentes. Pelos erros com os amigos. Chorei pelas vezes que nunca me defendi como devia, por me deixar ser humilhado, por humilhar. Pela soberba, vaidade, empáfia e pelo orgulho. Pelas vezes que ouvi aquela música e não escutei, que li aquele texto e não o senti. Pelo melodrama e a canção melosa que esnobei. Chorei pelos momentos sexuais reprimidos, pelos sussurros que não existiram. Pelo medo de ser mal interpretado. Chorei pelas vezes que não prestei a devida atenção, que soneguei ajuda quando precisaram. Pelos momentos de inveja. Pela falta de paciência e educação, pelas vezes que ignorei de propósito e sem querer. Pelas vezes em que gritei. Por destruir sentimentos.

Chorei pelas lágrimas que nunca verti. Pelas declarações que nunca fiz, pelos equívocos que provoquei, pelas ilusões que permiti em mim e nos outros. Por permitir que entendam tudo errado.Desculpem pelo desabafo. Ele simplesmente escorreu.

Postado por Rodrigo às 12:15 PM 9 comentários

terça-feira, 12 de junho de 2007

De Férias

Estou sem jeito de escrever muito por aqui, porque estamos correndo demais. Aqui vai uma foto do Salar de Uyuni, na Bolívia, passeio que fizemos no fim da semana passada. Nela, Lucimeire, Eduardo, Lorena e eu. Marina está atrás da máquina.
Crédito: Marina Mercante