sábado, 1 de outubro de 2005

Chorei

Ontem, eu chorei. Chorei pelas injustiças que cometi, pelas palavras erradas que disse e pelas certas silenciadas. Pelos momentos de dor, pela falta dos que amei, pela falta dos que amo. Chorei pela criança que me pediu dinheiro no sinal, pela senhora que dorme na rua embalada em sacos plásticos nas noites frias e pelas vidas que ficaram jogadas lá fora. Pela minha omissão, pela minha covardia e a falta de compaixão. Chorei quando lembrei dos dias de sol que não aproveitei, por todo pôr do Sol perdido e pelas noites de Lua em que eu estava nublado. Pelos momentos bonitos que deixei de viver com mais intensidade com meu pai, pelas palavras duras que já dirigi para minha mãe, pelas brigas com meus irmãos, pelas muitas ausências com meus avós, pela amizade que não pude ter com primos e a simpatia que não desenvolvi por alguns parentes. Pelos erros com os amigos. Chorei pelas vezes que nunca me defendi como devia, por me deixar ser humilhado, por humilhar. Pela soberba, vaidade, empáfia e pelo orgulho. Pelas vezes que ouvi aquela música e não escutei, que li aquele texto e não o senti. Pelo melodrama e a canção melosa que esnobei. Chorei pelos momentos sexuais reprimidos, pelos sussurros que não existiram. Pelo medo de ser mal interpretado. Chorei pelas vezes que não prestei a devida atenção, que soneguei ajuda quando precisaram. Pelos momentos de inveja. Pela falta de paciência e educação, pelas vezes que ignorei de propósito e sem querer. Pelas vezes em que gritei. Por destruir sentimentos.

Chorei pelas lágrimas que nunca verti. Pelas declarações que nunca fiz, pelos equívocos que provoquei, pelas ilusões que permiti em mim e nos outros. Por permitir que entendam tudo errado.

Desculpem pelo desabafo. Ele simplesmente escorreu.

9 comentários:

Fellipe Fernandes disse...

Rodrigones, se ele escorreu depois de deixar seus olhos, que ficaram no passado de seu vermelhidão, o seu desabafo tem a imunidade daqueles que se permitem sofrer às vezes, sem se preocupar com a busca excessiva da felicidade. Se foi assim, tanto melhor, pois você ganha ainda mais força para olhar para o que ainda vem e enfrentá-lo de frente, mesmo que de seus olhos escorram algumas lágrimas, ora de medo, ora de tristeza, ou até mesmo de felicidade. O importante é se deixar sentir, sentir o percurso que cada lágrima faz em seu rosto até cair para o nada, recolhendo-se ao seu destino trágico, que é doar-se sem esperar por qualquer recompensa que possa existir. É por isso que não aceito as suas desculpas pelo desabafo, Rodrigones, porque você tem todo o direito sobre ele e eu, na condição de seu amigo, o dever de escutá-lo ou lê-lo. Se precisar de mim - ou não precisando! - você sabe exatamente o que fazer. Um abraço.

Sandra Annemberg disse...

Ah! a campanha do post abaixo ainda não acabou. Continuem doando, gente! é muito importante. Agora, atençã! você deve esperar até a mensagem final para confirmar o seu comentário. Vamos bater o recorde de comentários!!!

Hebert Regis disse...

Aleluia!! Não aguentava mais o povo suplicando por uma atualização. Mas taí né. Gostei muito do seu texto. Só tenho uma pergunta. Vc está bem? Qquer coisa, me liga. O meu tel está cortado, mas pode ligar para o meu cel. Sai mais barato que uma hora no psicólogo e ainda vamos falar mau de um monte de gente. Né não. AH! Tem a opção da mesa de bar. Mas aí vc escolhe. Até mais.

Lorena Verli disse...

Amore! Estava na expectativa por uma atualização, mas não esperava que ela viesse assim, embalada de tanto sentimento. Acho que o momento que você está passando será muito bem vivido, ainda mais por você. Te tenho em alta cotação e se você chora, isso te torna mais humano e mais forte, ao meu ver. Todos, em determinados momentos da vida, têm de desabafar. Que o choro seja um fortalecedor, que a prova seja rejuvenecedora, que a tormenta seja o prenúncio do bom tempo. Muitas vezes é preciso um abalo nas nossas fundações para que possamos perceber tudo o que pode ir ao chão. Infelizmente eu ainda não consegui fazer o meu desabafo. Espero que você passe por esse momento e permaneça o pé no chão que sempre foi, que continue sendo a terra dessa equipe que, com toda certeza, torce por você. Independente do que qualquer pessoa diga, você é e continuará sendo um dos meus portos seguros, aquele que me mostra como seguir adiante, que me aponta o caminho do horizonte. Mesmo com os momentos de inveja, com as raivas, com os gritos. São situações relevadas dentro da imensa amizade que sinto por você. Você continua e continuará sendo um dos pedaços da minha alma, um dos que eu tive a felicidade de encontrar. O resto, a gente aprende com o tempo, com as pedras, com os temporais, com as angustias e com os retiros espirituais zen-budistas. Te adoro!!!! Té mais.....

Eduardo Sartorato disse...

Só tenho uma coisa a dizer, nunca vi o Rodrigo assim!! Acho que o Fellipe roubou a senha dele e postou aqui, não é possível. Chorar é bom. Acho que vou conversar primeiro com você antes de postar mais coisas!!

abração véi!!

Luiz Felipe disse...

Chorei quando li seu texto...

maria cristina disse...

Nossa Rodrigo, acho q sua vontade de postar estava reprimida, rsrsrs... Mas ficou lindo! Sabe, a gente deve prestar mais atenção nas pequenas coisas a nossa volta, quem diria que existe um pôr-do-sol lindo todos os dias?! E nós, na nossa mediocridade nem sempre o contemplamos mergulhados em nosso egoísmo... Bjão!!
PS: é isso mesmo, vamos continuar a campanha no post abaixo!

Erikita disse...

Acho que já comentei o texto ´pessoalmente com sua pessoa´...hehehe. Então só passei pra deixar um abraço, pra dizer para vcs se divertirem aí em Pires mas não muito e...Ah...É isso aí..hehehe. Beijim

Fantasma do Blog disse...

Me ignorar você não podem! Mesmo que todos chorem! Pq aqui em Goiânia não chove?

Ahhhhh...... esqueci, nove!