domingo, 4 de novembro de 2007

FECHADO PARA BALANÇO

sábado, 13 de outubro de 2007

Chorei, de novo

Engraçado como nos surpreendemos com nós mesmos de tempos atrás. Há alguns dias recebi um e-mail de uma senhora sugerindo que eu publicasse um texto meu que encontrou durante uma pesquisa no Google. É um espanto, mas eu escrevi o seguinte texto, que, dois anos depois ao ser relido, me trouxe os sentimentos daquele momento. Contudo, agora, consegui enxergar a beleza das palavras que simplemente vieram. Aconselho essa experiência a quem tem blog que já tenha feito aniversário. É bem interessante. Eis a republicação do post. Você se lembra? Eu, sim. E muito bem.


Sábado, Outubro 01, 2005

Chorei

Ontem, eu chorei. Chorei pelas injustiças que cometi, pelas palavras erradas que disse e pelas certas silenciadas. Pelos momentos de dor, pela falta dos que amei, pela falta dos que amo. Chorei pela criança que me pediu dinheiro no sinal, pela senhora que dorme na rua embalada em sacos plásticos nas noites frias e pelas vidas que ficaram jogadas lá fora. Pela minha omissão, pela minha covardia e a falta de compaixão. Chorei quando lembrei dos dias de sol que não aproveitei, por todo pôr do Sol perdido e pelas noites de Lua em que eu estava nublado. Pelos momentos bonitos que deixei de viver com mais intensidade com meu pai, pelas palavras duras que já dirigi para minha mãe, pelas brigas com meus irmãos, pelas muitas ausências com meus avós, pela amizade que não pude ter com primos e a simpatia que não desenvolvi por alguns parentes. Pelos erros com os amigos. Chorei pelas vezes que nunca me defendi como devia, por me deixar ser humilhado, por humilhar. Pela soberba, vaidade, empáfia e pelo orgulho. Pelas vezes que ouvi aquela música e não escutei, que li aquele texto e não o senti. Pelo melodrama e a canção melosa que esnobei. Chorei pelos momentos sexuais reprimidos, pelos sussurros que não existiram. Pelo medo de ser mal interpretado. Chorei pelas vezes que não prestei a devida atenção, que soneguei ajuda quando precisaram. Pelos momentos de inveja. Pela falta de paciência e educação, pelas vezes que ignorei de propósito e sem querer. Pelas vezes em que gritei. Por destruir sentimentos.

Chorei pelas lágrimas que nunca verti. Pelas declarações que nunca fiz, pelos equívocos que provoquei, pelas ilusões que permiti em mim e nos outros. Por permitir que entendam tudo errado.Desculpem pelo desabafo. Ele simplesmente escorreu.

Postado por Rodrigo às 12:15 PM 9 comentários

terça-feira, 12 de junho de 2007

De Férias

Estou sem jeito de escrever muito por aqui, porque estamos correndo demais. Aqui vai uma foto do Salar de Uyuni, na Bolívia, passeio que fizemos no fim da semana passada. Nela, Lucimeire, Eduardo, Lorena e eu. Marina está atrás da máquina.
Crédito: Marina Mercante

terça-feira, 22 de maio de 2007

Eu também me divirto

Hoje posso dizer que me encontrei sendo jornalista da área cultural. Durante a faculdade tinha preconceito contra profissionais que cobriam cultura, caindo na mesmice de achar trabalho fácil, como até hoje acham alguns profissionais...

Obviamente depois que passei a trabalhar na editoria saquei que este tipo de jornalista trabalha tanto quanto em qualquer outra. Na maior parte das vezes uma matéria em segundo caderno consome a mesma energia que um repórter de Cidades, por exemplo, gasta para fazer uma matéria especial. Como factual em cultura é mais raro, a informação tem de ser "cavada".

A parte boa é que viaja mais que o normal das outras editorias. Nestas horas é que eu adoro ainda mais a área. E mesmo que a futilidade esteja presente em algumas coberturas, sem me acrescentar em nada como pessoa, me divirto muito.

Na semana passada cobri o Prêmio Tim de Música no Rio de Janeiro. Nunca vi tanto global debaixo do mesmo teto. Não que me importe muito (depois que conheci minha primeira celebridade, elas perderam o brilho), mas ainda perco o fôlego ao subir de elevador com Fernanda Montenegro ou sentir o perfume de Camila Pitanga – com todo respeito. E rio muito com as intrigras que a mídia "especializada" que cobre celebridades provoca:

– Alcione, o que você achou da briga entre a Luana Piovani e o Caetano Veloso?
– Mas o que aconteceu?
– Ela chamou ele de "banana de pijama".

Marrom pensa um pouco e responde:

– Ela tem de lavar a boca para falar dele.

Ha, ha, ha, ha. E mais uma briga via imprensa estava instalada.

Na foto, um flagra da calcinha de Luma que presenciei.

sábado, 12 de maio de 2007

De Black-Tie é mais elegante


Desde que decidi ser jornalista, sonhei realizar muitas coisas. Sonhei escrever matérias que ajudassem as pessoas a refletirem. Sonhei prestar um serviço, que para quem não é do meio parece mérito somente do veículo, mas que na verdade carrega 90% do suor de quem o faz.

Ontem, 28 corajosos jornalistas que trabalhavam no Diário da Manhã foram demitidos porque tiveram a dignidade de mostrar o sentimento de serem desreipeitados em seu direito básico de receber pelo trabalho realizado, vestindo-se de preto. Nunca trabalhei no DM. Meu caminho não cruzou com o de muita gente que está entre os 28. Mas admiro todos.

Assim como sonhei, sei que muitos também o fizeram. Que lutaram e lutam no dia-a-dia para burlar os interesses e as birras de empresários mimados que fazem "jornalismo" em que a última prioridade é o leitor/ouvinte/telespectador/internauta.

Só uma coisa a dizer a eles: Batam no peito de orgulho por não se calarem. Por agir. Por fazerem tudo o que podiam. Vocês deram o suor e merecem algo melhor. Se calar a boca de quem pede por condições melhores é a opção deles, é porque não sabem o que realmente é Jornalismo. Infelizmente quem perde são os leitores, que às vezes nem mesmo racionalizam que um bom jornal não brota sozinho e sim de mentes pensantes e inteligentes, mas que sabem reconhecer muito bem um bom. Alcancem vôos mais livres. E de black-tie, que é mais elegante.

sábado, 28 de abril de 2007

Uma Páscoa Multireligiosa

Depois de pouco mais de um ano, estive dentro de uma igreja de novo no último domingo de Páscoa. Assisti à missa de sétimo dia da minha avó materna. De família tipicamente goiana desde pequeno fui criado sob os ritos da Igreja Católica. Quem me conhece sabe que há pouco mais de cinco anos decidi que não iria mais freqüentar nenhum tipo de instituição religiosa, por convicção de que este tipo de fé já não mais me pertencia.

Ainda bem que quando mais o tempo passa mais maduros e sábios ficamos. Se estivesse na mesma situação há cinco anos tudo seria diferente. Talvez teria uma daquelas célebres reações de garoto-sabe-tudo e menosprezaria o ambiente religioso, julgando tudo um engodo dos bispos. Verdade ou não, isso já não me importa mais.

Para ser franco, o fato dos católicos celebrarem sua religiosidade com a cara de quem está indo para forca, com grande pesar nos ombros, até hoje me incomoda muito. A maioria nem presta a atenção no que está fazendo. Assim foram ensinados. Paciência!

Há tempos estou no que gosto de chamar de estado de suspensão, do qual talvez nunca saia. Trata-se daquele espírito de quem não crê e nem descrê. Já disseram vários cientistas que até mesmo os ateus têm sua religião – alguns encaram a ciência como a sua. Ou seja, todo mundo que vive crê em algo, mesmo que seja somente na “verdade” de átomos e moléculas. Posso até me encaixar em um rótulo, mas odeio ser chamado de ateu ou agnótisco.

O que passei a achar, ironicamente, é que bem ou mal a Igreja talvez tenha sido e, na maioria esmagadora dos casos continua sendo, muito pertinente à humanidade. Tem todos os defeitos do mundo possíveis em uma instituição fundada e mantida por homens. Mas como seria uma mundo sem igrejas? As pessoas seriam capazes de julgarem, a princípio, por si próprias, o que é bom ou não, se não tivessem que ter medo do Papai do Céu? Sinceramente, minha fé na "bondade inata" da humanidade nunca foi forte...

O alento é que, com todas as suas falhas, o Universo que criou o homem teve sabedoria de implantar nele crenças que, mesmo com graves efeitos colaterais como guerras religiosas fudamentalistas, conseguem regular a moral e levar muita gente por aquilo que se chama de “caminho do bem”.

Se eu criaria meus filhos como meus irmãos e eu fomos criados dentro da igreja? Sim, se isso fosse muito importante para a mãe deles. Caso contrário, não, mesmo sabendo que me norteio em princípios de bondade e ética, por ter sido criado dentro de igreja – obviamente por mérito dos meus pais e não dos senhores de batina. Quero mostrar a eles que se pode acreditar no que sua necessidade permite ou a intuição manda. E que esta é a beleza de um mundo de muitas religiões, sejam elas no sentido bíblico ou não.