Depois de pouco mais de um ano, estive dentro de uma igreja de novo no último domingo de Páscoa. Assisti à missa de sétimo dia da minha avó materna. De família tipicamente goiana desde pequeno fui criado sob os ritos da Igreja Católica. Quem me conhece sabe que há pouco mais de cinco anos decidi que não iria mais freqüentar nenhum tipo de instituição religiosa, por convicção de que este tipo de fé já não mais me pertencia.
Ainda bem que quando mais o tempo passa mais maduros e sábios ficamos. Se estivesse na mesma situação há cinco anos tudo seria diferente. Talvez teria uma daquelas célebres reações de garoto-sabe-tudo e menosprezaria o ambiente religioso, julgando tudo um engodo dos bispos. Verdade ou não, isso já não me importa mais.
Para ser franco, o fato dos católicos celebrarem sua religiosidade com a cara de quem está indo para forca, com grande pesar nos ombros, até hoje me incomoda muito. A maioria nem presta a atenção no que está fazendo. Assim foram ensinados. Paciência!
Há tempos estou no que gosto de chamar de estado de suspensão, do qual talvez nunca saia. Trata-se daquele espírito de quem não crê e nem descrê. Já disseram vários cientistas que até mesmo os ateus têm sua religião – alguns encaram a ciência como a sua. Ou seja, todo mundo que vive crê em algo, mesmo que seja somente na “verdade” de átomos e moléculas. Posso até me encaixar em um rótulo, mas odeio ser chamado de ateu ou agnótisco.
O que passei a achar, ironicamente, é que bem ou mal a Igreja talvez tenha sido e, na maioria esmagadora dos casos continua sendo, muito pertinente à humanidade. Tem todos os defeitos do mundo possíveis em uma instituição fundada e mantida por homens. Mas como seria uma mundo sem igrejas? As pessoas seriam capazes de julgarem, a princípio, por si próprias, o que é bom ou não, se não tivessem que ter medo do Papai do Céu? Sinceramente, minha fé na "bondade inata" da humanidade nunca foi forte...
O alento é que, com todas as suas falhas, o Universo que criou o homem teve sabedoria de implantar nele crenças que, mesmo com graves efeitos colaterais como guerras religiosas fudamentalistas, conseguem regular a moral e levar muita gente por aquilo que se chama de “caminho do bem”.
Se eu criaria meus filhos como meus irmãos e eu fomos criados dentro da igreja? Sim, se isso fosse muito importante para a mãe deles. Caso contrário, não, mesmo sabendo que me norteio em princípios de bondade e ética, por ter sido criado dentro de igreja – obviamente por mérito dos meus pais e não dos senhores de batina. Quero mostrar a eles que se pode acreditar no que sua necessidade permite ou a intuição manda. E que esta é a beleza de um mundo de muitas religiões, sejam elas no sentido bíblico ou não.