terça-feira, 31 de agosto de 2010

Como dar entrevistas - Para famosos e sub-famosos

Essa é para você, caro artista, pessoa pública, celebridade e sub-celebridade, que acha que sabe tudo sobre dar entrevista. Em alguns anos de jornalismo, percebi que a maioria de vocês já se acha muito esperta na hora de responder perguntas de profissionais da imprensa, mas na verdade faz tudo errado. Por isso, faço a gentileza de dar dez valiosas dicas sobre como se portar diante de um jornalista profissional:

1 - Você não é tão importante quanto imagina
Quando for solicitado para uma entrevista, diga logo se vai ou não concedê-la. Não amasse barro, não enrole, não crie expectativas e muito menos mande a assessoria enrolar. Mas não se esqueça: outra pessoa, outra notícia vai preencher um espaço que poderia ser seu.

2 - Seja humilde
Mesmo sendo a Madonna, se você for antipático, de alguma forma vai receber o troco. Vai ganhar uma linha irônica, não vai receber tratamento de foto ou imagem (ou a imagem escolhida não vai lhe beneficiar tanto...) ou, o que é pior, corre o risco de ser retratado no texto da maneira como demonstrou ser: uma pessoa desprezível.

3 - Não mande o jornalista fazer o dever de casa
Se o jornalista for profissional, ele já terá feito isso. Agora, se ele está lhe perguntando algo que já lhe foi perguntado milhares de vezes é porque prefere checar a informação com você do que confiar na duvidosa Wikipedia. Ou você quer que escrevam que você tem 45 anos quando tem 38 anos?

4 - Não atenda o jornalista com má vontade
O risco de ser levado por uma entrevista que não lhe favorece é muito maior. Não esqueça que se você for uma pessoa já conhecida poderá decepcionar o jornalista e assim criar nele, um mediador considerável entre você e o público, uma antipatia difícil de desfazer depois.

5 - Aceite sua idade, baby
Se você é da velha guarda, entenda que perguntas comparando gerações sempre virão. Você pode respondê-las com naturalidade e até com uma certa soberba jocosa para se sair bem. Se não quer responder, saia pela tangente. Geralmente quando o jornalista faz uma pergunta do tipo, está esperando uma lição sábia de quem fez algo melhor no passado.

6 - Entenda que você precisa de mídia e mediadores
Sem eles você não é ninguém. Não vá achando que porque agora tem uma conta no Facebook, no Twitter ou um blog e lida diretamente com o público, está abafando. Diante da credibilidade de um jornalista, se mal retratado, você pode perder muitos pontos com seu público...

7 - Não minta
As fontes, as possibilidades de checagem sobre o que você falou são cada vez maiores. Vivemos a sociedade da informação. A internet é fonte inesgotável de checagem e, do outro lado, pode ser um veículo de rápida e destrutiva propagação da sua mentira. O estrago pode ser maior do que pensa.

8 - Não faça tanta graça
Você não tão engraçado quanto pensa que é. Nem se for o Woody Allen. Dependendo da situação, seu humorzinho sórdido pode gerar mal entendidos. Brinque quando puder e fale muito sério quando for solicitado.

9 - Entrevista por e-mail não existe
Não vá achando que dar entrevista por e-mail é mais prático. Primeiro porque se não há interação, não há entrevista. Neste caso há somente um questionário e jornalista não gosta de se portar como um recenseador. Depois, porque achar que você está se resguardando de ter sua fala deturpada é ilusão. Por escrito, as coisas tomam outra proporção e a chance ter sua fala mal usada, fora do contexto, é maior. Se achou prejudicado depois de fazer tudo certo? É para isso que existem processos por calúnia, difamação e adjacentes.

10 - Não seja irônico ou queira humilhar o jornalista
Se o jornalista for foca (iniciante), ele pode até não perceber ou simplesmente relevar (embora um dia a ficha possa cair e você se dar mal). Depois não vá se perguntar o que fez para cair nas garras da imprensa marrom... Além disso, não esqueça: sua carreira não é eterna. Hoje pode estar por cima e amanhã, por baixo. Com certeza receberá o troco.

domingo, 18 de abril de 2010

Dicas para políticos e assessores ao usarem Twitter

Se você é político ou assessor de político este post lhe será de grande ajuda no que se refere ao Twitter. Tenho visto muito amadorismo por aí.

A gafe mais comum é perceber que o político ou assessor (aliás, assessores na maioria são os verdadeiros tuiteiros) começa a lhe seguir para que você retribua. Mas se você não o segue, recebe unfollow.

Como muita gente consegue saber quem deu unfollow por meio das centenas de programinhas espalhados por aí, isso pega mal. Muito mal.


Por isso, aprenda a aproveitar as seguintes e valiosas dicas de Sueli Bacelar:

Fonte: Sueli Bacelar - Tecnologia, Internet e Marketing Digital (http://suelibacelar.blogspot.com)

Em geral, o perfil do twitter está sendo usado para monólogo e não para interagir, e é o que se espera da presença em uma rede social: INTERAÇÃO. As possibilidades de linkar para vídeo, fotos, não estão sendo usadas. Então segue dicas para um bom uso do twitter por políticos:

1) Perfil: Use somente seu nome ou apelido conhecido para compor o perfil, não use a sigla do partido e nem a abreviação do cargo que ocupa ou que já ocupou. O nome do perfil deve ser único por toda a vida, jamais ser mudado, senão o trabalho terá que ser completamente refeito.

2) Biografia: Aproveite a oportunidade para mostrar quem é você além da política. Cite a profissão, por exemplo. Especifique qual a sua vinculação partidária. O cargo que ocupa, e se for o caso o número de mandatos.

3) Localização: Informe a cidade e o estado a que pertence.

4) Layout: Coloque uma foto de qualidade e personalize o background (fundo).

5) Use conteúdo Relevante:
5.1) Divulgue sua plataforma eleitoral - Seus twits devem demonstrar a sua plataforma eleitoral, não se contradiga;
5.2) Publique no Youtube vídeos, e faça referência em seus twits;
5.3) Informe sua agenda e os acontecimentos relevantes;
5.4) Faça referência a notícias de fontes oficiais(jornais, revistas, etc.) que são relevantes ao pleito ou a sua plataforma eleitoral;
5.5) Dê publicidade ao trabalho realizado durante o mandato;
5.6) Publique cobertura fotográfica do evento em que participou.

6) Interaja:
6.1) Encaminhe Direct Mensagens de agradecimento a seus seguidores;
6.2) Responda, sempre que possível, aos questionamentos quando forem feitos; mas cuidado com a resposta, para que não seja usada contra você;
6.3) Siga e permita ser seguido;
6.4) Saiba quando e porque usar #hashtags;
6.5) Sempre que possível cite @perfis;
6.6) Participe das campanhas, como o #followfriday, para indicar perfis relevantes ao seu; como perfis de partidos, de candidatos do mesmo partido ou de quem você apóia, ou mesmo relacionado a sua plataforma política.

7)Seja Transparente:
7.1) Se são assessores que estão fazendo o trabalho no twitter, deixe claro; isso não é um problema!

8)Divulgue seu perfil:
8.1) Em site ou blog;
8.2) Em mídia off: no programa eleitoral gratuito, na plotagem do carro, em material impresso;
8.3) Em sites ou perfis de partidos, etc;
8.4) Siga o perfil @twiticos;
8.5) Siga pessoas de sua área eleitoral.

9) Monitore sua presença:
9.1) Faça análise de estatísticas do seu perfil e de seus twits.

10) Cuidados:
10.1) Fique atento à Lei nº 12034 de 29/09/2009.
10.2) Fique atento ao que falam de você, fazendo pesquisas regularmente.

segunda-feira, 29 de março de 2010

A vitória dos vilões no BBB 10

Há algo de podre no reino da Dinarmarca. É inegável que o Big Brother Brasil mudou muito de perfil na edição deste ano, em grande parte pela adesão em massa dos internautas tuiteiros nas votações.

Mas este grupão, que ganhou ainda mais força por causa da mudança no peso do voto pela internet, revelou enfim sua face: eles preferem os vilões do que os mocinhos.

É o sinal de uma geração. Eu particularmente nunca gostei de mocinhos da ficção porque eles são chatos pra danar. Mas, gostar de Dourado e companhia, talvez seja um pouco demais.

No Big Brother, não dá para dizer quem é 100% vilão ou 100% mocinho, mas sempre é possível perceber perfis voltados para serem os bonzinhos e os mauzinhos.

E os donos do perfil de mauzinhos chegaram mais longe e nesta terça é possível que o líder deles chegue ao R$ 1,5 milhão: Dourado, um brucutu misógino, homofóbico e preconceituso desinformado (para quem não sabe ele disse que mulher não pega aids de homem).

E não me venha com essa história de que ele é autêntico. Ele é um resumo do que um grande grupo pensa. Uma lástima. Estamos diante da valorização do "vilanismo" que foge do politicamente correto.

Nesta edição, assim como na do ano passado, já não estou torcendo mais para ninguém.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vencedores do Oscar 2010

Uma ótima surpresa! As tias velhas de Hollywood sucumbiram ao lobby de um produtor pró-Guerra a Terror (foto) e esnobaram Avatar, uma baboseira tecnológica. Dando mais estatuetas ao filme de Kathryn Bigelow, incluindo as principais - melhor diretora, melhor filme e melhor roteiro original - a academia da indústria redimiu a injustiça que cometeu no passado quando deram o prêmio de melhor filme para o sem graça Quem Quer Ser Um Milionário deixando O Curioso Caso de Benjamim Button sem o devido reconhecimento.

Entre os atores nada de surpresa. E ainda bem. Tirando o trabalho de Sandra Bullock, que ainda preciso ver para crer, todos os outros atores merecem cada graminha do ouro folheado na estatueta. Dentre minhas aposta em 24 categorias apresentandas na noite de ontem, acertei 10, todos nas principais categorias, uma margem de 42% de acerto. Eis os vencedores, com um * nas categorias que acertei (clique aqui para ver todos os indicados):

Melhor Filme
Guerra Ao Terror

Melhor Diretor
Kathryn Bigelow* - Guerra ao Terror

Melhor Ator
Jeff Bridges* - Coração Louco

Ator Coadjuvante
Christoph Waltz* - Bastardos Inglórios

Melhor Atriz
Sandra Bullock* - Um Sonho Possível

Melhor Atriz Coadjuvante
Mo'Nique* - Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Roteiro Adaptado
Preciosa - Uma História de Esperança*

Melhor Roteiro Original
Guerra ao Terror*

Melhor Animação Longa-Metragem
Up – Altas Aventuras*

Melhor Animação Curta-Metragem
Logorama

Melhor Filme Estrangeiro
O Segredo de Seus Olhos

Melhor Documentário Longa-Metragem
The Cove

Melhor Documentário Curta-Metragem
Music by Prudence

Melhor Curta-Metragem
The New Tenants

Melhor Direção de Arte
Avatar

Melhor Fotografia
Avatar

Melhor Figurino
The Young Victoria

Melhor Montagem
Guerra ao Terror

Melhor Trilha Sonora Original
Up – Altas Aventuras

Melhor Canção Original
"The Weary Kind" – Coração Louco

Melhor Edição de Som
Guerra ao Terror

Melhor Mixagem de Som
Guerra ao Terror

Melhores Efeitos Especiais
Avatar*

Melhor Maquiagem
Star Trek*

sábado, 6 de março de 2010

Minhas apostas para o Oscar

Vamos ver qual é a percentagem de acerto. O ganhador da noite, claro, será Avatar (foto), provavelmente com seis estatuetas, das nove indicações, embora vá brigar com certa folga com Guerra ao Terror (veja todos os indicados clicando aqui).

Melhor Filme
Avatar

Melhor Diretor
Kathryn Bigelow - Guerra ao Terror

Melhor Ator
Jeff Bridges - Coração Louco

Ator Coadjuvante
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios

Melhor Atriz
Sandra Bullock - Um Sonho Possível

Melhor Atriz Coadjuvante
Mo'Nique - Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Roteiro Adaptado
Preciosa - Uma História de Esperança

Melhor Roteiro Original

Guerra ao Terror

Melhor Animação Longa-Metragem
Up - Altas Aventuras

Melhor Animação Curta-Metragem
The Lady and the Reaper (La Dama e la Muerte)

Melhor Filme Estrangeiro
A Fita Branca

Melhor Documentário Longa-Metragem

The Most Dangerous Man In America: Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers

Melhor Documentário Curta-Metragem
The Last Campaign of Governos Booth Gardner

Melhor Curta-Metragem
Miracle Fish

Melhor Direção de Arte
O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus

Melhor Fotografia
A Fita Branca

Melhor Figurino
Coco Antes de Chanel

Melhor Montagem

Avatar

Melhor Trilha Sonora Original

Avatar

Melhor Canção Original
"Down in New Orleans" - A Princesa e o Sapo

Melhor Edição de Som
Avatar

Melhor Mixagem de Som
Avatar

Melhores Efeitos Especiais
Avatar

Melhor Maquiagem
Star Trek

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Um olhar sempre atento

Hélio Nunes foi um dos chefes mais exigentes que conheci, mas que nunca deixou por segundo sequer de defender os seus. Comigo, particularmente, sempre foi um lorde. Cada vez que eu precisava falar com ele ou simplesmente o comprimentava com um bom dia, ele sempre respondia com um simpático "como vai jovem? tudo bem?". Aprendi muito com ele.

Hoje, o jornal onde trabalhou por 40 anos, lhe fez uma devida homenagem. O texto, assinado por este blogueiro, teve uma excelente edição de Rosângela Chaves, e foi publicado no caderno Magazine.




Publicado em O Popular - 24 de fevereiro de 2010:

Enfatizar o melhor ângulo, descobrir nuances e mostrar o que um olhar desatento costuma deixar passar. Ao longo dos seus 40 anos de carreira, foi dessa forma que o fotógrafo Hélio Nunes, editor de Fotografia do POPULAR, morto na sexta-feira, dia 19, aos 54 anos, vítima de complicações renais, encarava seu trabalho. E era assim também que comandava sua equipe: era preciso fazer de tudo para mostrar o que quase nunca enxergarmos corriqueiramente e que o repórter de texto pouco pode fazer para transmitir com a palavra.

Tanto na função de repórter-fotográfico e mais tarde como chefe de Fotografia, Hélio Nunes sempre se revelou dono de um senso jornalístico aguçado e exigente.

Não foi à toa que nas suas quatro décadas de carreira, toda ela no POPULAR – onde começou como operador de telefoto –, fez coberturas memoráveis e recebeu diversas premiações. Histórias para contar e, em seu caso, mostrar, não lhe faltavam.

São narrações visuais marcantes, curiosas, históricas. Em sua vasta produção jornalística, Hélio não economizou cliques para captar momentos memoráveis. O que dizer, por exemplo, da imagem de um pintinho ciscando despreocupadamente ao lado da enorme pata de um elefante?

Agraciada em 1994 entre os destaques do prêmio World Press Photo, um dos mais importantes do fotojornalismo mundial, a imagem é daquelas que ficam na retina.

Mas Hélio não era de revelar muitos detalhes que envolviam a captação de uma imagem como essa. Falava pouco do próprio ofício. Simplesmente gostava que suas fotos fossem vistas. Era assim que exibia com orgulho os resultados de um dos trabalhos de que mais gostava de relembrar: as coberturas das Copas do Mundo de Futebol da Espanha (1982) e do México (1986).

Alguns desses resultados são cliques marcantes como os de um clássico entre Brasil e Argentina (vencido pelos canarinhos) no mundial de 82. Em um dos enquadramentos mais significativos estão os jogadores Júnior e Diego Maradona, em uma disputa acirrada pela bola.

Hélio também era um cronista visual, que sabia retirar poesia do cotidiano da cidade. Soube ainda retratar como poucos acontecimentos que marcaram o Estado, como o trágico incêndio da Matriz de Pirenópolis, em setembro de 2002, e o sequestro do avião da Vasp em 1988.

Registros históricos
Momentos históricos também foram registrados pelas lentes de Hélio Nunes. São de sua autoria muitas fotos impressionantes que retrataram a Praça Cívica em uma das maiores reuniões populares do Brasil no movimento das Diretas Já, em 1984, em plena derrocada da ditadura militar. Entre os personagens, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e José Sarney.

Outros momentos importantes, estes em solo estrangeiro, foram os registros de uma viagem internacional empreendida por uma comitiva do então presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2001, e uma expedição à Antártida. Na viagem com Fernando Henrique, atento, Hélio captou cenas hoje já importantes para a posteridade, que mostram o líder timorense Xanana Gusmão, mais tarde presidente do Timor Leste, e o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em 2003 em um atentado em Bagdá.

Históricas também passariam a ser as imagens registradas em preto e branco de “Aninha, a menina feia da ponte”, como Cora Coralina se definiu em um poema. Sempre encantado com a cidade de Goiás e seus personagens, Hélio tinha simpatia declarada ao local.

Mesmo nos assuntos corriqueiros, Hélio buscava um ângulo diferente, inusitado. Numa entrevista ao POPULAR, em 1990, ao comentar sobre o período em que se dedicava mais à cobertura policial, ele deu a seguinte explicação sobre como fazia para não cair na mesmice: “Para o trabalho não ficar muito repetitivo, procurava pegar as pessoas distraídas, fazendo os gestos mais extravagantes, agachadas, pegando bilhetinho no chão. Era o flagrante que me interessava mais.”

Hélio Nunes - 1956 - 2010