sábado, 13 de outubro de 2007

Chorei, de novo

Engraçado como nos surpreendemos com nós mesmos de tempos atrás. Há alguns dias recebi um e-mail de uma senhora sugerindo que eu publicasse um texto meu que encontrou durante uma pesquisa no Google. É um espanto, mas eu escrevi o seguinte texto, que, dois anos depois ao ser relido, me trouxe os sentimentos daquele momento. Contudo, agora, consegui enxergar a beleza das palavras que simplemente vieram. Aconselho essa experiência a quem tem blog que já tenha feito aniversário. É bem interessante. Eis a republicação do post. Você se lembra? Eu, sim. E muito bem.


Sábado, Outubro 01, 2005

Chorei

Ontem, eu chorei. Chorei pelas injustiças que cometi, pelas palavras erradas que disse e pelas certas silenciadas. Pelos momentos de dor, pela falta dos que amei, pela falta dos que amo. Chorei pela criança que me pediu dinheiro no sinal, pela senhora que dorme na rua embalada em sacos plásticos nas noites frias e pelas vidas que ficaram jogadas lá fora. Pela minha omissão, pela minha covardia e a falta de compaixão. Chorei quando lembrei dos dias de sol que não aproveitei, por todo pôr do Sol perdido e pelas noites de Lua em que eu estava nublado. Pelos momentos bonitos que deixei de viver com mais intensidade com meu pai, pelas palavras duras que já dirigi para minha mãe, pelas brigas com meus irmãos, pelas muitas ausências com meus avós, pela amizade que não pude ter com primos e a simpatia que não desenvolvi por alguns parentes. Pelos erros com os amigos. Chorei pelas vezes que nunca me defendi como devia, por me deixar ser humilhado, por humilhar. Pela soberba, vaidade, empáfia e pelo orgulho. Pelas vezes que ouvi aquela música e não escutei, que li aquele texto e não o senti. Pelo melodrama e a canção melosa que esnobei. Chorei pelos momentos sexuais reprimidos, pelos sussurros que não existiram. Pelo medo de ser mal interpretado. Chorei pelas vezes que não prestei a devida atenção, que soneguei ajuda quando precisaram. Pelos momentos de inveja. Pela falta de paciência e educação, pelas vezes que ignorei de propósito e sem querer. Pelas vezes em que gritei. Por destruir sentimentos.

Chorei pelas lágrimas que nunca verti. Pelas declarações que nunca fiz, pelos equívocos que provoquei, pelas ilusões que permiti em mim e nos outros. Por permitir que entendam tudo errado.Desculpem pelo desabafo. Ele simplesmente escorreu.

Postado por Rodrigo às 12:15 PM 9 comentários

Um comentário:

Did disse...

Eu não li da primeira vez que vc escreveu ,mas agora pude sentir exatamente como vc no momento em que meus olhos, já marejados a certa altura do texto, entendiam bem a expressão de algumas palavras e o sentimento nelas contido. Obrigada por escrever um texto tão universal, que sirva para as suas e para as minhas lágrimas e alívio também.
Bjo


(Ah... como só li seu recado depois de postar, no próximo post eu coloco o link sim, é claro!)