terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Será que eu fico rico?

Pode ser que daqui a alguns dias (ou horas), quando as "aranhinhas" do Google tiverem jogado este post no banco de dados do site, este seja um dos raros textos encontrados em que o nome "T. Harv Eker" não aparece imediatamente emendado com o nome do livro que ele escreveu.

Ano-novo, tentativa de ser mente aberta, resolvi aceitar a sugestão de dar uma olhada no engodo editorial Os Segredos da Mente Milionária (foto lá embaixo). Consegui fazer uma leitura dinâmica até a página 20, antes de largá-lo de vez. Neste percurso li trechos como: "A realidade é que a maior parte das pessoas não atinge o seu pleno potencial, não é bem-sucedida. As pesquisas mostram que 80% dos indivíduos jamais serão livres como gostariam e 80% deles nunca se considerarão de fato felizes."

Por partes: "a realidade é que a maior parte das pessoas não atinge o seu pleno potencial, não é bem sucedida". No mínimo, confusão tosca entre sucesso pessoal e sucesso monetário, totalmente separáveis. O pior, porém, estava por vir: "Pesquisas mostram...". Desculpe a chatice jornalística, caro leitor, mas que instituto ou entidade fez da tal pesquisa? Qual é a fonte? Não preciso nem dizer que o autor saiu dessa passagem, assim como entrou: sem dar a mínima satisfação de onde tirou essa afirmação, a não ser de sua rica cabecinha.

"... que 80% dos indivíduos jamais serão livres como gostariam e 80% deles nunca se considerarão de fato felizes." Se há alguma coisa que qualquer criança sabe, é que o número nunca é redondo. Até aquele pseudorepórter safado que inventava coisas sabia falsificar melhor. Ele escreveria: "...82,3% dos indivíduos jamais...".

Contaram a mim, depois, que as "estatísticas" continuam por todo resto do livro. Redondas e sem fonte, claro. Deixei o livro e fui ao Google descobrir quem era esse ser, T. Harv Eker.

Nada além de referências ao livro nas páginas em português. Tive uma desconfiança. Mas as chances de eu estar errado eram grandes. Há de tudo neste mundo. Insisti e fui à opção "web" e pesquisei páginas em inglês. Descobri um site em que aparecem imagens do dito cujo diante de uma plateia histérica. É. Fisicamente ele existia. Nos textos do site principal, porém, não encontrei nada além do que já estava traduzido para português na edição nacional do livro da Editora Sextante.

Havia ainda algumas referências sobre a presença do livro na lista de best-sellers de conceituados veículos como New York Times, USA Today e Wall Street Journal. Nada mais. Também li a mesma ladainha que o cara fez fortuna em apenas dois anos e meio e blá, blá, blá. Como não havia menção de nenhum nome da empresa dele, confesso que desisti da investigação cibernética.

Dentro da minha humilde limitação, comecei a imaginar (A Força do Pensamento Criativo! – seria um bom título para um livro desses) que esse cara não poderia passar de uma criação editorial. Ok, caro leitor. Eu sou muito pretensioso em imaginar que poderia existir um fake para que pessoas acreditem e comprem livros e ideias. Afinal, seria muita descoberta em um dia só por causa de um livro.

Depois fiquei pensando sobre como há gente muito mais esperta que eu e você que me lê. Talvez, quando sair do computador eu vá "aprender a reprogramar o consciente financeiro para ficar rico", como diz T. Harv Eker. Talvez eu faça uns cursos de MBA em negócios, mesmo que só para incrementar meu currículo e nada mais. Talvez seja um fracasso empresarial. Aliás, muito provavelmente. Mas mesmo assim, poderei escrever um livro que, aí sim, será meu sucesso financeiro. Ou não.


P.S. - Este blog, por motivos profissionais do autor e para não confundir ninguém, já é escrito sob a nova correção ortográfica da língua portuguesa, válida desde 1º de janeiro e obrigatória a partir de 2012

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